sábado, 24 de agosto de 2013

CONCÍLIO VATICANO II - Importância e missão dos leigos

Continuando a publicação sobre os documentos do Concílio Vaticano II, apresento aqui mais um decreto que trata da importância e missão dos leigos na Comunidade.

APOSTOLICAM ACTUOSITATEM ( Importância e missão dos leigos )

Sendo um dos principais objetivos "ler os sinais dos tempos", o Vaticano II deu passos significativos e importantes na inclusão dos leigos na vida e missão da Igreja.

Hoje essa inclusão mostra-se ainda mais necessária e importante, e o Concílio oferece-nos muitas luzes para reflexão. A Igreja existe no mundo para mostrar a todos os seres humanos a beleza do Evangelho, a glória de Deus e a redenção obtida através da fé em Cristo. Concretizar essa missão não é, como se pensava até pouco tempo, função exclusiva do clero: bispos, padres e diáconos.

Todos os batizados são chamados a colaborar, primeiramente através do testemunho da vida, depois através de ações concretas em sintonia com a hierarquia.

O leigo tem papel fundamental nesse processo, pois está mais profundamente inserido no mundo e convive diretamente com as pessoas que precisam da fé, do amor e da esperança.

Incluir os leigos nessa missão foi uma preocupação do Vaticano II, que se mostra cada vez mais atual e necessária, sendo objeto de discussão de vários documentos e simpósios posteriores.

Sobre a importância e missão dos leigos na comunidade cristã, estes tem um papel fundamental na Igreja, pois estão mais profundamente inseridos no mundo.

A relação entre o leigo e a Igreja sofreu muitas alterações no decorrer da história. Nas comunidades primitivas havia um grande protagonismo dos cristãos leigos. Exerciam diversos ministérios, tais como o serviço da Palavra, da direção da comunidade, da caridade e por vezes até o serviço cultual.

A partir do século IV estes ministérios sofreram um processo de clericalização, ou seja, passaram a ser feitos por ministros ordenados, o clero, cabendo aos leigos a dedicação de assuntos temporais.

No início do século XX, o movimento da Ação Católica procurou recuperar o papel do leigo na atividade pastoral e apostólica da Igreja, encontrando nos documentos do Vaticano II a confirmação e aprovação que deram rumo à organização da Igreja.

Diversos documentos do Vaticano II abordam o tema do laicato. Porém, o documento exclusivamente dedicado à ação apostólica dos leigos é o Apostolicam Actuositatem, elaborado a partir as 164 proposições enviadas à comissão preparatória.

Depois de várias emendas e redações, fio aprovado a 18 de novembro de 1965 com 2340 votos a favor e 2 contra. Os seus 33 parágrafos são divididos em seis capítulos e visam esclarecer a índole, natureza e variedade do apostolado do leigo, além de oferecer princípios fundamentais e instruções pastorais para o seu eficaz exercício.

Este documento trata da atividade apostólica do povo de Deus afirmando que os leigos desempenham funções próprias e necessárias na missão da Igreja e que "o Espírito Santo hoje torna os leigos cada vez mais conscientes da própria responsabilidade e por toda a parte os anima ao serviço de Cristo e da Igreja" (AA, n.1). Já no capítulo I, vem abordada a vocação do leigo ao apostolado: participação do leigo no múnus sacerdotal, profético e real de Cristo (n.2), espiritualidade como exercício contínuo da fé, esperança e caridade.


Vimos que no capítulo I do AA nos é abordada a vocação do leigo ao apostolado. Através do bom exercício dessa vocação, os leigos devem levar ao mundo a mensagem de Cristo, através da palavra, do testemunho e dos sacramentos. Este é fim a atingir em sua missão (capítulo II), que se funde com o objetivo da Igreja construir o Reino.

O capítulo III menciona os vários campos de apostolado que podem ser realizados nas comunidades cristãs, através da pastoral, da catequese, etc.; na própria família, vivendo os valores cristãos, promovendo a unidade e educando na fé; no ambiente social, promovendo o diálogo e o entendimento e, principalmente, manifestando coerência entre fé e vida. Esse testemunho é, sem dúvida, a melhor forma de evangelizar e defender a fé cristã.

São variados os campos de apostolado do leigo. Portanto, se variados são os campos de atuação também os são as formas de o desenvolver. "Os leigos podem exercer a sua ação apostólica quer como indivíduos quer unidos em diversas comunidades e associações" (AA, n.15). A ordem a observar em todos os casos é a coordenação e a boa relação entre leigos e clero, respeitando-se mutuamente as tarefas e funções específicas de cada um (capítulo V).

O capítulo da Apostolicam Actuositatem se refere a formação dos leigos. Trata-se ainda de um ponto delicado, pois ao mesmo tempo em que se exige uma participação ativa dos leigos na Igreja, não são na mesma intensidade as oportunidades que eles têm para obter uma formação espiritual, doutrinal, ética, teológica e humana mais sólida. Existem muitos exemplos louváveis, mas ainda há muito que se caminhar nesse aspecto, por parte dos leigos e por parte da hierarquia, que deve incentivar a facultar aos leigos tal formação. Somente assim poderá se concretizar o apelo final do documento de um envolvimento sempre maior dos leigos na atividade apostólica da Igreja.

Dentre os muitos méritos da mudança de mentalidade gerada pelo Concílio, é significativa a ruptura da dicotomia pastores-fiéis. A Igreja vem apresentada pelo Vaticano II como Povo de Deus, onde todos são corresponsáveis na evangelização. A Igreja é comunhão, somos todos parte do mesmo Corpo de Cristo, e o carisma pertence a todos, não é exclusividade de nenhum grupo, apesar de cada um ter uma função específica. Somos chamados a oferecer os nossos dons, os nossos carismas, a fim de promover a vida e a missão da Igreja, e não a competição e segmentação.

Fonte:
Folheto Litúrgico Dominical O Pulsandinho
Pulsando litÚrgico - Diocese de Apucarana - PR
Sugestões e Informações:
(43) 3468-1184 - edson.zamiro@hotmail.com

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